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Pau-mulato para manejo e uso sustentável

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Pesquisas conduzidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) constatou que, em áreas de Sistemas Agroflorestais (SAFs), no município de Mazagão, localizado no estado do Amapá, a espécie florestal pau-mulato (Calycophyllum spruceanum (Benth.) K. Schum.) apresenta, em média, a idade de 5 a 11 anos, e o crescimento do diâmetro varia de 0,9 a 2,4 centímetro ao ano. Isso demonstra a grande capacidade de crescimento desta árvore abundante em áreas de florestas de várzea. A Embrapa Amapá pesquisa o pau-mulato com a finalidade de criar um modelo de manejo para uso sustentável das áreas de várzeas, por meio do Projeto Florestam. Os pesquisadores recomendam que o primeiro desbaste da regeneração inicial do pau-mulato deva acontecer por volta dos 6 meses após o fim do ciclo da roça, ou da prática da agricultura no espaço escolhido para o SAFs. Desbaste é o corte e remoção parcial das árvores de uma área, com a finalidade de acelerar o crescimento em diâmetro.

Na primeira fase de desbaste, as mudas do pau-mulato geralmente estão com altura média de 30 centímetros e diâmetro na base do solo de 0,51 centímetros. O segundo desbaste pode ser feito quando as árvores do pau-mulato estiverem com 4 a 7 anos de idade. Nessa faixa, o diâmetro médio pode chegar a 17 cm e a altura a 15 m, com árvores de troncos retos e forma bem definida, e nesta fase a sua madeira roliça já é adequada para produzir caibros, postes, cercas, e ser usada como lenha e carvão.

Árvore do pau-mulato pode chegar a 30 metros de altura

A equipe do pesquisador Marcelino Carneiro Guedes, da Embrapa Amapá, líder do Projeto Florestam, observou que o pau-mulato é uma das espécies madeireiras mais comercializadas no estado do Amapá. Dos R$ 16 milhões estimados com a venda de madeira de várzea nos canais Pedrinhas, Jandiá e Bueiro (localizados em Macapá e Santana, AP), em torno de 20% desta receita vem do comércio com o pau-mulato. Dados do Projeto Florestam apontam grande potencial de regeneração natural do pau-mulato, com densidade média de aproximadamente 47 mil mudas por hectare em área de roça abandonada. O manejo de regeneração pode render, no segundo debaste, uma madeira roliça apropriada para produzir energia, postes e construções rústicas. Já ao final do ciclo a madeira pode ser usada para serraria, reduzindo as despesas para o produtor, que não precisa produzir e plantar as mudas.

Como descobrir a idade do pau-mulato?
Você sabe quanto anos vive uma árvore de pau-mulato, como podemos fazer para saber a idade das árvores? Uma das formas é usar a dendrocronologia, que é o ramo do conhecimento que estuda o tempo de formação da madeira. A árvore vai engrossando de dentro pra fora e, assim, o meio do tronco é de fato a árvore quando ela era bem novinha. Quanto mais grossa, mais velha é a árvore. Para saber a idade, é simples: basta contar os anéis marcados no tronco da árvore, a partir do meio até a beira. Cada anel representa um ano de crescimento da árvore!

Diâmetro médio da tora fica em torno dos 17 centímetros

O pau-mulato é uma árvore nativa do Brasil. É bastante encontrada na floresta de várzea da Amazônia e sua madeira é muito usada pelos ribeirinhos para construir suas casas. Ribeirinhos são pessoas que vivem na beira dos rios e possuem um modo de vida baseado na constante relação com a água, desde o transporte aos alimentos. O pau-mulato não passa despercebido, pois seu tronco pode chegar até 30 metros de altura, é reto como uma vela e muito bonito. A casca do tronco é fina, quando jovem a cor é esverdeada e com o passar dos anos fica marrom e até castanho-escura.

Uma curiosidade sobre o pau-mulato é quando ele troca de casca, fica exposta a camada interna avermelhada. Isso acontece todos os anos. De aspecto aveludado, o tronco liso dá a impressão de ter sido envernizado. O pau-mulato tem uma copa pequena e rala e isso facilita seu uso em Sistemas Agroflorestais (SAFs), que é uma forma de manejar a terra combinando árvores frutíferas ou madeireiras com agricultura e, se quiser, também a criação de animais. Essa facilidade acontece porque o pau mulato é um tipo de árvore que permite a passagem da luz, causando pouca sombra.
 

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