Clube da Madeira Nobre

Mogno Africano, poupança verde

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Enquanto os preços das commotities agrícolas variam ano após ano, oscilando entre o lucro e o prejuíso, o mercado de madeiras de lei registra um aumento expressivo no valor do metro cúbico de madeira. Entre 2002 e 2007, o incremento chegou a 83%, de acordo com o índice CPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – Esalq/USP).

Fonte: Revista Produz

Tanto no mercado nacional quanto internacional, o cenário para o comércio de madeiras nobres é de demanda crescente e de oferta declinante. Logo, o setor assegura excelentes rendimentos financeiros, com isso atrai investidores. O que explica o aumento exponencial de áreas de reflorestamento no país.

E entre as opções para reflorestamento com madeira de lei, destaque para o mogno africano, que ganha status de bola da vez. Não é para menos, afinal o retorno financeiro de 1 hectare em 15 anos pode chegar a 400 mil (receita líquida).

Opções de Investimento

O mogno africano chegou ao país na década de 1970. O primeiro culltivo foi feito pela Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA). Seu rápido crescimento, altura e diâmetro chamaram a atenção dos pesquisadores. Após cerca de 20 anos, no início da década de 1990, as primeiras sementes chegaram às mãos de produtores. Só apartir daí é que a espécie passou a ser utilizada em reflorestamentos ambientais.

Murilo do Couto de Medeiros, dono da plante Roots Viveiro Ambiental, explica que o cultivo comercial do mogno africano no país surgiu como opção para a indústria moveleira logo após a proibição do corte do mogno nacional (Swietenia macrophylla) para fins comerciais, por consequência da exploração predatória.

A espécie adaptou-se muito bem em várias faixas de altitude, clima, distribuição de chuva e fertilidade de solo. Tanto que, atualmente, é cultivada para fins comerciais por produtores rurais, profissionais liberais e empresários de diversos setores e regiões do país, a exemplo do empresário Antônio Marcos Camargo Pádua e seu filho, o advogado André Vieira Pádua.

Desde que adquiriu uma propriedade rural no município de Cezarina (GO), a Fazenda AM, no início da década de 1990, Antônio Marcos já investiu em agricultura, com o plantio de soja e milho, e em pecuária leiteira, com a aquisição de um rebanho de 40 vacas das raças Holandesa e Girolando que lhe rendiam uma produção de 40 litros de leite anima/dia,

Hoje, se dedica à pecuária de corte, possui um confinamento montado com capacidade para engorda de 500 a 700 animais, e à produção de coco. “Inicialmente plantei 3000 pés. Tudo com alta tecnologia, irrigação comprada no Brasil, porém importada de Israel. Isso há 14 anos. Hoje, estou com 5500 pés produzindo. A produção média é de 100 cocos/pé/ano”, compartilha.

Mais recentemente, no ano de 2010, sob a influência do filho André, iniciou um investimento na área de reflorestamento. “Primeiro com eucalipto, depois passei para acácia mangium e agora o mogno africano”, declara.

“Em janeiro de 2010, fizemos o primeiro plantio de eucalipto, numa área de 4 alqueires. Em 2011, mais quatro alqueires. (16 mil mudas de eucalipto, 9 mil mudas de acácia e  de mogno africano, 4mil). Toda propriedade possui uma mancha de terra que é mais fraca, então, começamos a fazer o reflorestamento nessa parte. E para nossa surpresa, a acácia e o mogno, em especial, se adaptaram muito bem. Logo, a expectativa é de quando ampliarmos o plantio para as melhores partes da terra, as culturas se desenvolvam ainda melhor”, detalha andré.

Para 2012, a intenção segundo Antônio Marcos é investir mais no plantio de mogno. “Tenho ainda a média de 20 alqueires destinados ao reflorestamento, onde 50% será destinado ao mogno e os outros 50% para acácia e eucalipto”. André pondera que, devido ao défcit hídrico da região ele e o pai optaram pela especie Khaya senegalensis, que atingiu a média de 3 metros de altura em 1 ano d eidade. “Qualquer plano de previdência privada privada, qualquer aplicação não rende tanto quanto mogno africano. Se eu tivesse um filho hoje, plantaria de 1 a 2 alqueires para garantir uma ótima faculdade, para garantir seu futuro”, declara André. Apaixonado pela raça equina Mangalarga Marchador, ele declara que pode vir a implantar um consórcio silvipastoril. Além disso, ambiciona montar uma usina de autoclave de modo a beneficiar a madeira na própria propriedade e aumentar com isso o valor agregado do metro cúbico.

Quanto à limpeza da área após o corte, andré diz que existem no mercado empresas especializadas que não cobram pelo serviço. Elas retiram e recolhem tocos e raízes e os vendem para a produção de carvão vegetal. Outra alternativa é ir plantando entre os intervalos das linhas. Com o passar dos anos os tocos e raízes apodrecem e servem de adubo para o solo. O advogado reconhece, porém, que sua maior preocupação é com o preparo do solo e o plantio que, segundo ele, deve ocorrer durante o período das águas. “No mais é paciência e aguardar”.

Ouro-verde

O mogno africano é o nome comum dado a várias spécies do gênero Khaya. No Brasil, de acordo com Murilo, são cultivadas duas espécies: a Khaya ivorensis, com ocorrência natural na África Ocidental, Costa do Marfim, Gana, Tongo, Benin, Nigéria e sul de Camarões; e a Khaya senegalensis, com ocorrência natural no Mali, Senegal, norte de Camarões, Uganda e Sudão.

É uma árvore de porte elevado, caducifólia (as folhas caem na seca) nos climas áridos, atingindo alturas de 40 a 50 metros, e diâmetro na altura do peito de até 200 centímetros. Seu caule é retilíneo, isento de ramificações até 30cm de altura e seu sistema radicular também é muito vasto. É uma planta heliófila (requer muita luz), porém, tolerante à sombra na fase jovem, o que possibilita, segundo Murilo, o seu plantio consorciado com culturas já estabelecidas, em produção ou mesmo em fim de ciclo, por exemplo, com espécies exóticas (como o eucalipto e a acácia mangium) frutíferas (como a banana e a uva) e até com café. O viveirista lembra que na interação com outras culturas, é usual a adoção de uma distância maior entre linhas. Agora, para o investidor que vai lançar mão da irrigação, indica-se algo mais adensado. E dentro dos espaçamentos mais usuais na atualidade, ele cita:

3m x 4m – 834 mutas/ha

4m x 4m – 625 mutas/ha

5m x 4m – 500 mutas/ha

5m x 5m – 277 mutas/ha

O uso comercial do mogno africano é muito diversificado. Isso porque sua madeira é de elevada durabilidade, fácil de trabalhar e secar, porém de difícil impregnação. O alburno possui coloração marrom-amarelado e o cerne marrom-avermelhado.

Quanto à indicação de plantio, Murilo Couto diz que a Khaya senegalensis é mais resistente à seca e indicada para regiões com déficit hídrico muito acentuado, índice pluviométrico abaixo de 800mm. “Encaixa-se perfeitamente nas condições edafoclimáticas (condição de solo e clima) da região dos cerrados”. A Khaya Ivorensis é mais indicada para regiões com índice pluviométrico superior a 800mm, a exemplo da região amazônica e mata atlântica (veja mapa).

E para que o desenvolvimento do mogno africano seja contínuo durante o ano, a dica é irrigar: Contudo, o tipo de irrigação deve ser planejado e escolhido de acordo com o tipo de solo, clima e estação das chuvas. Utilizar um tipo de irrigação que não permita o desenvolvimento da árvore; não saber a hora de fazer a irrigação; e não saber a quantidade correta de água (o excesso é prejudicial) são falhas que podem culminar na demora do desenvolvimento da madeira. Até os 2,5 anos do plantio, os cuidados devem ser redobrados, observando e fazendo tudo o que for preestabelecido pelo técnico responsável.

Os cuidados com o mogno africano começam por contar com uma assessoria técnica capaz de levar o projeto do início até o corte com o menor índice de erros possíveis, e conduzir todas as indicações técnicas dentro do planejado. É importante que o investido faça um relatório de todas as atividades  desenvolvidas durante o ciclo da floresta (combate a pragas e doenças, adubações, capinas, etc), e efetue medições das árvores dentro de uma amostragem uma vez por ano para acompanhar o seu desenvolvimento.

Quanto À idade de corte, quando se planta uma maior quantidade de mudas por ha, o primeiro corte acontece entre 8 e 10 anos, quando são cortadas 50% das árvores, e aos 15 e 20 anos, os outros 50%. O rendimento da madeira e a idade de corte estão diretamente ligados à condição da floresta (solo de boa qualidade) e tratos culturais adequados.

Pragas e doenças

Murilo alega não haver relatos de pragas que causem danos relevantes ao mogno africanos. Ao contrário do mogno nacional, as espécies do gênero Khaya são resistentes ao ataque da broca do broto terminal (Hipsipyla grandella), praga que inviabilizou os plantios do mogno nacional no Centro Oeste e Norte do país. Seu controle é difícil, caro, de longo prazo e normalmente ineficiente.

As pragas do gênero Khaya por enquanto são as formigas e as abelhas arapuá,  que atacam árvores jovens. “Temos registrado ocorrências de ataques da abelha arapuá em plantios de mogno africano causando injurias no broto apical das plantas. Seu controle é relativamente simples, normalmente feito com a remoção das colméias ou a pulverização de produtos com cheiro forte, que atuam como repelentes”. Informa o viveirista. Também o repelente é indicado no combate à formiga.

Quanto às doenças, no Brasil o mogno africano não tem registro de nenhuma que cause dano econômico. A que mais tem ocorrido é o cancro do córtex ou cancro da casca. “Não é uma praga como se tem falado, e sim uma doença cujo agente causal ainda não foi identificado.  Sua maior incidência é na Khaya Ivorensis em decorrência da maior humidade, mas é comum também na Khaya senegalensis. Porém em nenhuma das duas causa danos econômicos, apenas estéticos” esclarece Murilo.

Segundo ele, o controle desta doença é simples e barato, de fácil acesso ao produtor:  “Basta fazer pulverização ou pincelamento sobre as lesões com hipocloreto de sódio a 2,5% (água sanitária) ou calda bordalesa e também fungicidas a base de cobre, sob recmendação agronômica”.

As semelhanças entre o mogno africano e o mogno nacional tanto na aparência quanto nas características físicas da madeira, tendem a levar à substituição da espécie brasileira (nativa), hoje com corte proibido  e com exportações suspensas, pela africana (exótica) sem restrição de corte e com livre acesso ao mercado europeu e americano.

Investidor; o mercado da madeira do mogno africano é seguro, pois a mesma já é consagrada internacionalmente por suas características físicas e mecânicas. Além do que o risco da atividade é baixo, desde que todas as etapas do planejamento e execução sejam obedecidas. Por isso é de grande importância ter conhecimento de cada uma das fases de formação da floresta, e seguir critérios técnicos  desde o preparo do solo, adubação, irrigação, capinas, combate às pragas e doenças e desbrota das árvores até o corte final. 

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