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A evolução da silvicultura em busca de excelência

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Durante décadas, as grandes empresas estiveram na vanguarda da tecnologia e produtividade, mas detinham muito conhecimento em sigilo. Porém, na última década, por uma demanda crescente de madeira, várias indústrias tiveram que criar programas de fomento e desenvolvimento florestal com produtores rurais.

Além disso, devido a um déficit de matéria-prima em diversas regiões do país, o governo federal criou políticas de apoio, e algumas linhas de crédito que acabaram exigindo uma estrutura para concretizar esses planos. Surgiram, então, mais universidades, vagas de cursos técnicos e superiores, mais profissionais, empresas ligadas ao setor e pesquisas. A partir deste período, a silvicultura se tornou pública, aberta e mais conhecida pela sociedade.

Passou a ter uma amplitude de pesquisa, difusão de tecnologia, convênios publico-privado e a velocidade da informação tomou um rumo sem volta. O setor florestal brasileiro tem vivido nos últimos 10 anos uma agitação considerável, desde a produção de mudas, passando por revoluções nos plantios, alguns em tempo recorde, até as grandes máquinas de colheita. Tanto essa evolução, quanto a rentabilidade tem chamado atenção de investidores, desde profissionais liberais até enormes aportes de capital para a construção de grandes indústrias, e plantios a perder de vista. De fato, um investimento interessante, mas se realizado de forma equivocada, sem planejamento ou a devida engenharia, pode gerar surpresas lastimáveis.

As espécies florestais exóticas ou nativas podem ter cuidados parecidos na silvicultura, cada uma com peculiaridades, mas neste artigo o foco será o cultivo de eucalipto. Com grande plasticidade ecológica, potencial de adaptação, estabelecimento, crescimento e produção às mais variadas condições edafoclimáticas do território nacional, além da elevada produtividade.

Para se realizar a implantação florestal devemos considerar vários fatores importantes: localização do terreno; reconhecimento da área; levantamento topográfico; mapeamento do solo; análises químicas e físicas do solo; levantamento da vegetação; condições edafoclimáticas regionais; distribuição de reservas legais e áreas de preservação permanente; escolha da espécie e/ou procedência; estradas, aceiros e talhonamento; cercas divisórias; limpeza da área; controle de pragas; correção do solo, preparo do solo; escolha do espaçamento; fertilização mineral; plantio; replantio; e tratos silviculturais.

A localização do terreno servirá para realizar o plano de negócio, avaliar a viabilidade e logística do empreendimento. O reconhecimento da área tem por finalidade conhecer e avaliar as condições locais para certificar se atende às exigências pré-determinadas para o projeto a ser desenvolvido.

Análises estratificadas químicas e físicas do solo servem para conhecer a fertilidade, estrutura física, camadas adensadas, solo pedregoso, e áreas sujeitas à erosão. Sem essas informações é impossível fazer uma recomendação correta e precisa da área, mas isso normalmente ocorre na silvicultura convencional, onde são descartadas as análises e utilizadas às conhecidas “receitas de bolo”.

Precisam-se utilizar metodologias mais inteligentes de correção e fertilização, respeitando os 16 elementos químicos essenciais em equilíbrio. As correções por meio de doses adequadas, formato de aplicação conforme necessidade de gesso, calcário, fosfato natural reativo e outros fertilizantes são fundamentais.

A penetrometria é usada para medir a compactação do solo, um atributo físico amplamente estudado principalmente pelo fato de gerar queda de produtividade devido ao impedimento mecânico no crescimento de raízes. O mapeamento é fundamental para a tomada de decisão desde planejamento, gerenciamento das células produtivas, levantamento de rendimento operacional até a colheita da madeira, e deve ser feito por profissionais.

A escolha da espécie e qual material genético deverá ser utilizado está intimamente ligada ao objetivo final a que se destina a madeira e a aptidão silvícola local. Clones ou sementes melhoradas devem ser preferidas, mesmo com custo superior, devem ser provenientes de locais com características do clima, do solo e geográficas semelhantes às da área que pretende plantar.

Precisa-se ser minucioso na escolha do material genético. Existem espécies melhoradas e adaptas tanto a neve quanto a situações de seca e baixíssima precipitação. Estes melhoramentos estão direcionados basicamente a produção de celulose, energia, ou serraria.

A locação e a construção das estradas e aceiros definem o tamanho e a forma dos talhões e devem levar em consideração aspectos de conservação do solo, planialtimetria da área, proteção e colheita da floresta plantada, principalmente em áreas de topografia acidentada, fundamental para evitar assoreamentos e voçorocas, além de facilitar as atividades realizadas durante as operações.

As operações de limpeza variam em função do tipo de vegetação e topografia, podendo ser manuais, mecanizadas ou químicas. Para maior eficiência nos herbicidas pós-emergentes utilizados antes do plantio deve-se levantar quais são as plantas infestantes, saber qual herbicida utilizar, dosagem, estádio fenológico adequado, que facilite a absorção e translocação do produto.

O mais indicado é utilizar herbicidas com penetração mais rápida com menor exposição às chuvas; melhor translocação causando morte efetiva das plantas daninhas até a raiz; formulação concentrada; pouca formação de espuma. Vale lembrar a importância de usar água limpa, pHmetro, e na aplicação, tecnologias como bicos com indução de ar, termo higrômetro, dentre outros detalhes. No controle da matocompetição pós-plantio é importante utilizar-se herbicidas pré-emergentes seletivos para controlar a sementeira. Na entrelinha, monitorar a área constantemente, e fazer o controle das plantas invasoras, seja através de roçadas ou controle químico. O controle com herbicidas pós-emergentes, barra protegida ou chapéu napoleônico, tem se mostrado mais eficiente.

Para a escolha do espaçamento em maciços, deve-se ter preocupação quanto à espécie, grau de melhoramento, fertilidade do solo e objetivo do plantio, mas principalmente a precipitação. Normalmente, para o eucalipto, o espaçamento mais recomendado é o de 3 m (metros) entre as linhas e 3 m entre as mudas, ou seja, 9 m² (metros quadrados) por planta, o que corresponde a 1.111 mudas por ha (hectare). Em alguns casos, precisa-se aumentar o espaçamento para a utilização de máquinas nas entre linhas, por exemplo, 4 x 3 m, 3,6 x 2,5 m, dentre outros. A engenharia que envolve a silvicultura deve ser tomada levando sempre em consideração os dados e a metragem quadrada por planta. Portanto, não existe regra única!

As mudas devem ser adquiridas em viveiros confiáveis e de qualidade conhecida. Na expedição devem estar rustificadas, manter o vigor, sistema radicular integro, estarem protegidas de vento, frio e compactação durante o transporte. O controle de pragas existentes deve ser executado antes, durante e pós-plantio.

O plantio deve ser realizado no início e durante o período chuvoso, esta época pode ir de setembro a janeiro, dependendo da região. Com a utilização do hidrogel pode-se plantar em qualquer época do ano, respeitando outros fatores além da umidade e temperatura, para evitar o cozimento das raízes. O replantio deve ser evitado, e quando feito, precisa ser realizado no máximo 30 dias após o plantio, utilizando-se mudas com o mesmo padrão de qualidade das plantadas inicialmente.

No caso de uso múltiplo da madeira, a poda precisa ser realizada, utilizando-se serrinhas profissionais de dupla face, ou tesouras próprias para esta atividade. A poda, desrama ou desgalha deve ser realizada no período seco, bem rente ao tronco, para evitar nodulação e aumentar o valor agregado da madeira, produzindo a clear-wood, madeira limpa de forma manejada na silvicultura. Para a produção de biomassa não é necessário realizar a poda.

A colheita da madeira deve ser planejada no inicio do projeto. Para determinar a intervenção é preciso conhecer o Incremento Médio Anual e a corrente da floresta. Esta análise é possível mediante a realização de inventários contínuos. Se a finalidade do projeto for biomassa os ciclos são curtos, de 5 a 7 anos, e são realizados cortes rasos. Mas se o objetivo for uso múltiplo são feitos desbastes com o objetivo de estimular o crescimento das árvores remanescentes e aumentar a produção da madeira utilizável, que resultam em vários produtos.

As produtividades médias do Brasil estão muito abaixo do seu potencial produtivo. Não adianta usar somente o melhor clone, sem atentar para o ambiente de produção, pois a genética representa apenas uma parte do processo, no máximo 50%. Relembre uma regra básica: F (Fenótipo) = G (Genótipo) + A (Ambiente). O Brasil não deixa a desejar no melhoramento genético, mas o A envolve pelo menos 52 fatores listados, e infelizmente, de um modo geral a silvicultura está sendo tratada com remendos, e não com a devida engenharia.

O único problema é que o tempo em floresta representa anos, e essas surpresas custarão caro no futuro. Por que nas mesmas condições edafoclimáticas a produtividade é tão diferente? Por que existem várias regiões e empresas conseguem em plantios comerciais, IMA (Incremento Média Anual) de 60 m3/ha/ano (metros cúbicos por hectare ao ano), e em casos acima de 80 m3/ha/ano, quando ainda falamos em média nacional de apenas 40 m3/ha/ano?

Na realidade, as respostas são simples, as informações existentes neste artigo são um resumo de alguns tópicos importantes relacionados à silvicultura. Boa parte dos conceitos relatados, são básicos e existem há décadas. Agora, por que eles não são colocados em prática? Essa pergunta pode ter várias justificativas... Última pergunta: Se a terra representa um custo muito elevado no setor de produção, não seria mais vantagem aumentarmos a produtividade, do que plantar mais hectares?

O principal objetivo de uma floresta comercial é fornecer matéria-prima para a fabricação de produtos indispensáveis. Estas florestas estão se multiplicando a partir da necessidade de abastecimento da indústria e preservação das florestas nativas. Portanto, é imprescindível o planejamento completo de todo o cultivo florestal para não se inviabilizar o investimento extremamente rentável.

Pedro Francio Filho – Engenheiro Agrônomo pedro@unisafeconsultoria.com.br www.unisafeconsultoria.com.br

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